No artigo anterior, vimos que muitas vezes temos a porta de nosso coração fechada e por isso não permitimos que o Rei entre e “tome uma refeição” conosco. Ouvimos então a voz do Rei lá fora, pedindo para entrar. Poderá ser durante um sermão em uma Missa, ou com o conselho de um amigo, numa leitura, enfim, Deus sempre bate à nossa porta.

Quando a pessoa decide abrir a porta de seu coração para receber a Deus no Natal, uma dúvida pode surgir: “Padre, como poderei receber dignamente o Menino Jesus em meu interior?”

Se você tem a casa (sua alma) suja, deve varrer. Se houver muita poeira, deve pegar em água e molhar o piso para facilitar a limpeza. Há quanto tempo não limpa a casa? Meses? Anos? Há quanto tempo você não se confessa…? Irmão, não pedi na Quaresma passada que você se acostumasse a confessar-se com mais frequência? Será que esqueceu este conselho?

Irmão, pecamos todos os dias. Se até hoje você foi preguiçoso em varrer a sua casa, pegue agora na vassoura que se chama memória. Lembre-se do que fez para ofender a Deus e do que deixou de fazer a seu serviço; procure um confessor e jogue fora todos os vossos pecados, assim você varrerá e limpará a vossa casa.

Depois de varrida, é preciso molhar o chão. É preciso chorar seus pecados  – “Mas não consigo chorar, padre!”

E se morre um parente próximo, um amigo… Ou se você perde um pouco do vosso dinheiro, não chora? – “Claro que choro, padre, e tanto que quase chego ao desespero”. Pobre de nós que, se perdemos um pouco de dinheiro, não há quem nos possa consolar, mas se temos a infelicidade de pecar e perder a Deus, o nosso coração parece uma fria pedra. Valorizamos mais o real perdido do que o Deus que nos criou.

 

>>> Estamos preparando importantes projetos de evangelização e de caridade em 2019! Ajude-nos a realizá-los! <<<

 

Senhor, abrandai meu coração!

– “Por que tenho o coração tão duro e não consigo chorar meus pecados?”

De todos os tempos litúrgicos que temos ao longo do ano, este, o Advento, é o mais apropriado para os duros de coração. Valorize o tempo santo em que estamos, considerai estas semanas como as mais santas de todas no ano, e se você a aproveitar bem e se preparar como já sabe, certamente desaparecerá essa dureza do coração.

Então, quando chegar a noite em que todos verão Deus descer, verão um pequenino posto numa manjedoura, você verá Ele feito carne, e, por ter-se revestido de uma carne tão branda, Ele se torna brando, e não será difícil fazer brando o coração dos homens que querem amá-lo.

Aproxime-se do presépio e peça com fé: – “Senhor, já que Te tornastes brando, abrandai o meu coração”. Desse modo, sem dúvida alguma, Deus dará água para que você lave a vossa casa cheia de pó.

 

Oração:

Ó meu amor, perdoai-me e vinde tomar posse de todo o meu coração. Se em outros tempos Vos expulsei de mim, agora Vos amo e não quero outra coisa senão a vossa graça. Eis que Vos abro a porta, entrai em meu pobre coração, mas entrai para nunca mais sair dele. Meu coração é pobre, mas entrando nele Vós o fareis rico. Serei rico enquanto Vos possuir, ó supremo Bem. – Ó Rainha do Céu, Mãe aflita desse aflito Filho, a Vós também causei dores amargas, porquanto tivestes tão grande parte nos sofrimentos de Jesus. Minha Mãe, perdoai-me e alcançai-me a graça de servir fielmente, agora que, como espero, Jesus de novo entrou em minha alma.

 

Obras consultadas:

O Mistério do Natal – São João de Ávila, Editora Quadrante, São Paulo, 1998

Pe. Thiago Maria Cristini, C. SS. R., “Meditações para todos os dias do ano tiradas das obras de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja”, Herder e Cia., tomo I, págs. 53 – 55, Friburgo em Brisgau, Alemanha, 1921.