Meditação dos Mistérios Gloriosos

Meditação dos Mistérios Gloriosos

Quando iniciamos a oração do Ofício Divino e do Ofício de Nossa Senhora rezamos esta bela oração:  “Abri, Senhor, os meus lábios para que louve o vosso santo nome, purificai também o meu coração de todos os vãos, perversos ou inúteis pensamentos; iluminai-me o entendimento, inflamai-me a vontade, para que digna, atenta e devotamente recite este Ofício e mereça ser atendido perante a vossa divina majestade”.

Esta oração ensina-nos resumidamente, mas de um modo perfeito, a atitude que devemos ter também ao rezar o Rosário: digna, atenta e devotamente.

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DIGNAMENTE:  O melhor procedimento é rezar de joelhos diante do Sacrário — o que nos alcança uma indulgência plenária — ou diante de uma imagem de Nossa Senhora. Mas pode-se rezá-lo também em qualquer outra postura digna (por exemplo, modestamente sentado, caminhando, etc.). Seria indecoroso rezá-lo enquanto fazemos algum trabalho manual ou intelectual que divida a atenção ou que interrompa constantemente a oração para responder a perguntas.

ATENTAMENTE: A atenção é necessária para evitar a irreverência que ocorreria se houvesse distração voluntária. Como querer que Deus nos ouça, se começamos por não nos ouvirmos a nós mesmos? As distrações involuntárias não invalidam o efeito da oração, desde que se faça o possível por contê-las e evitá-las.

DEVOTAMENTE:  A devoção consiste numa vontade pronta para as coisas referentes ao serviço de Deus. A própria Rainha do Céu disse ao Bem-aventurado Alan de la Roche: “Sabei que, embora hajam muitas indulgências concedidas ao meu Rosário, eu acrescentei muitas mais pelas diversas partes dele em favor daqueles que o rezarem sem pecado mortal, de joelhos, devotamente, e aos que perseverarem na devoção do santo Rosário, de acordo com essas condições e se o meditarem, obterei para eles, como prêmio, a plena remissão da pena e da culpa de todos os pecados no fim da vida. E não te pareça isto incrível; isto é-me fácil, pois sou a Mãe do Rei dos Céus, que me chama cheia de graça e, como cheia de graça, farei também ampla efusão dela em favor dos meus filhos queridos”.

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Meditação e súplica

São João Paulo II, em sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae nos ensina:

O Rosário é ao mesmo tempo meditação e súplica. A imploração insistente da Mãe de Deus apoia-se na confiança de que a sua materna intercessão tudo pode no coração do Filho. Ela é “onipotente por graça”, como, com expressão audaz a ser bem entendida, dizia o Beato Bártolo Longo na sua Súplica à Virgem.


Mistérios da glória

“A contemplação do rosto de Cristo não pode deter-se na imagem do crucificado. Ele é o Ressuscitado!”. O Rosário sempre expressou esta certeza da fé, convidando o crente a ultrapassar as trevas da Paixão, para fixar o olhar na glória de Cristo com a Ressurreição e a Ascensão.

Contemplando o Ressuscitado, o cristão descobre novamente as razões da própria fé (cf. 1 Cor 15, 14), e revive não só a alegria daqueles a quem Cristo Se manifestou – os Apóstolos, a Madalena, os discípulos de Emaús –, mas também a alegria de Maria, que deverá ter tido uma experiência não menos intensa da nova existência do Filho glorificado.


Primeiro mistério contemplamos a Ressurreição de Jesus

Entretanto, Maria se conservava do lado de fora perto do sepulcro e chorava. Chorando, inclinou-se para olhar dentro do sepulcro. Viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. Eles lhe perguntaram: Mulher, por que choras? Ela respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu. Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem procuras? Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar. Disse-lhe Jesus: Maria! Voltando-se ela, exclamou em hebraico: Rabôni! (que quer dizer Mestre). Disse-lhe Jesus: Não me retenhas, porque ainda não subi a meu Pai, mas vai a meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor e contou o que ele lhe tinha falado (Jo 20, 11-18).

Nosso Senhor triunfou sobre a morte e o pecado. Redimido o gênero humano, franqueadas novamente para nós as portas do Céu, a alma sacratíssima de Jesus reúne-se a seu adorável Corpo no sepulcro, de onde sai para aparecer à sua Santa Mãe, às santas mulheres, aos seus Apóstolos e discípulos.

Por este Mistério, peçamos por intercessão da Santíssima Virgem a graça de ter sempre presente em nossa lembrança a cena da Ressurreição, e do Juízo Final, durante o qual todos conhecerão tudo de todos.


A esta glória, onde com a Ascensão Cristo Se senta à direita do Pai, Ela mesma será elevada com a Assunção, chegando, por especialíssimo privilégio, a antecipar o destino reservado a todos os justos com a ressurreição da carne. Enfim, coroada de glória – como aparece no último mistério glorioso – Ela resplandece como Rainha dos Anjos e dos Santos, antecipação e ponto culminante da condição escatológica da Igreja.


Segundo mistério contemplamos a Ascensão de Jesus

Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é por ventura agora que ides instaurar o reino de Israel? Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo. Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos.

Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu (At 1, 6-11).

Depois de prometer aos Apóstolos a vinda do Espírito Santo, Nosso Senhor se elevou por seu próprio poder até o Céu empíreo, onde foi recebido com pompas divinas pelo Pai Eterno e toda a corte celestial. A Ele foi dado assento à direita do Altíssimo, de onde voltará, em toda a sua glória e majestade, para julgar os vivos e os mortos.

Por este Mistério, peçamos por intercessão da Santíssima Virgem a graça de termos constantemente um ardente desejo de irmos para o Céu, com nossos corpos glorificados.

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No centro deste itinerário de glória do Filho e da Mãe, o Rosário põe, no terceiro mistério glorioso, o Pentecostes, que mostra o rosto da Igreja como família reunida com Maria, fortalecida pela poderosa efusão do Espírito, pronta para a missão evangelizadora.


Terceiro mistério contemplamos a descida do Espírito Santo sobre Nossa Senhora e os Apóstolos

Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se descida do ES.jpgsoprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? (At 2, 1-8).

O convívio intenso dos discípulos com o Mestre não havia sido suficiente para transformá-los, nem sequer para fortalecê-los. Com a descida do Espírito Santo, a Igreja nascida do mistério Pascal de Cristo adquiriu vigor e se expandiu de maneira miraculosa.

Por este Mistério, peçamos à Santíssima Virgem que interceda por nós junto ao Seu Divino Esposo, para nos obter a plenitude dos dons que tanto transformaram os discípulos de Jesus e, assim, possamos cumprir com perfeição nossa missão.


No âmbito da realidade da Igreja, a contemplação deste, como dos outros mistérios gloriosos, deve levar os crentes a tomarem uma consciência cada vez mais viva da sua nova existência em Cristo, uma existência de que o Pentecostes constitui o grande “ícone”. Desta forma, os mistérios gloriosos alimentam nos crentes a esperança da meta escatológica, para onde caminham como membros do Povo de Deus peregrino na história. Isto não pode deixar de impeli-los a um corajoso testemunho daquela « grande alegria » que dá sentido a toda a sua vida.


Quarto mistério contemplamos a Assunção de Maria co Céu

Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias. Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos. Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus (Ap 12, 1-10).

Maria Santíssima, cumprida sua missão nesta Terra, e toda ardente do desejo de se unir ao seu adorável Filho na eternidade, adormeceu suavemente no Senhor. Não foi a morte vestida de luto e tristeza, mas antes o amor divino, adornado de luz e alegria, que veio romper o fio de tão nobre vida. E sem que seu corpo virginal sofresse as injúrias da corrupção, também Ela ressuscitou e foi levada gloriosamente aos Céus, de onde saiu a recebê-La Jesus, com a bem-aventurada companhia dos Anjos e dos Santos.

Maria entra na mansão celestial. Toda formosa e resplandecente, como a bendita entre todas as mulheres, a cheia de graça, a predileta de Deus, a imaculada, a mais bela de todas as criaturas.

Por este Mistério, peçamos à Santíssima Virgem uma ardorosa e terna devoção a tão boa Mãe.


Quinto mistério contemplamos a Coroação de Nossa Senhora como Rainha do Céu e da Terra

Estendi meus galhos como um terebinto, meus ramos são de honra e de graça. Cresci como a vinha de frutos de agradável odor, e minhas flores são frutos de glória e abundância. Sou a mãe do puro amor, do temor (de Deus), da ciência e da santa esperança, em mim se acha toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude. Vinde a mim todos os que me desejais com ardor, e enchei-vos de meus frutos; pois meu espírito é mais doce do que o mel, e minha posse mais suave que o favo de mel. A memória de meu nome durará por toda a série dos séculos. Aquele que me ouve não será humilhado, e os que agem por mim não pecarão. Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna (Eclo 24, 22-28; 30-31).

Nossa Senhora é glorificada pela Santíssima Trindade. “Ela resplandece como Rainha dos Anjos e dos Santos, antecipação e ponto culminante da condição escatológica da Igreja” (Rosarium Virginis Mariae, n. 23). Em meio ao júbilo de toda a corte celeste, o Pai Eterno A coroou, comunicando-Lhe a onipotência da súplica, o Filho, a sabedoria; e o Espírito Santo o amor.

Premiada com esse tríplice diadema, Nossa Senhora, Soberana e Mãe compassiva, começa a estender sobre nós, filhos e vassalos dEla, a inesgotável abundância de suas misericórdias.

Por este Mistério, peçamos por intercessão da Santíssima Virgem a perseverança na graça e a coroa da glória.


É Cristo que vive em mim

Uma coisa é clara! Se a repetição da Ave Maria se dirige diretamente a Maria, com Ela e por Ela é para Jesus que, em última análise, vai o ato de amor. A repetição alimenta-se do desejo duma conformação cada vez mais plena Cristo, verdadeiro “programa” da vida cristã. S. Paulo enunciou este programa com palavras cheias de ardor: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Flp 1, 21). E ainda: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20). O Rosário ajuda-nos a crescer nesta conformação até à meta da santidade.

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Conclusão

Queridos irmãos e irmãs! Uma oração tão fácil e ao mesmo tempo tão rica merece verdadeiramente ser descoberta de novo pela comunidade cristã.

Penso em vós todos, irmãos e irmãs de qualquer condição, em vós, famílias cristãs, em vós, doentes e idosos, em vós, jovens: retomai confiadamente nas mãos o terço do Rosário, fazendo a sua descoberta à luz da Escritura, de harmonia com a Liturgia, no contexto da vida quotidiana.


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Esta é uma boa pergunta que você faz…

Por que ei-de fazer o sacrifício de doar para ajudar alguém ou ajudar uma causa, se eu mesmo tenho tantas necessidades particulares?

E eu quero responder a você com uma história que me contaram e da qual eu tenho tirado muitas lições de vida.
                                              

Certa vez, numa cidade europeia, todo o povo se entristeceu com dois irmãos que ficaram órfãos muito cedo. A filha mais velha tinha 13 anos e o caçula tinha 8 anos.

QUERO AJUDAR

 

Com a morte dos pais e não havendo outros familiares que os ajudassem, o peso do sustento da casa ficou todo com a menina de 13 anos… Imaginem o drama que essa menina enfrentou…

Diariamente, os dois irmãos saiam de casa e caminhavam por alguns quilômetros até à cidade vizinha para conseguirem o sustento para o dia seguinte, por meio dos pequenos trabalhos que faziam…

No entanto, para tornar a vida destas crianças ainda mais sacrificada, o menino de 8 anos tinha nascido com uma grave deformação de crescimento que o impossibilitava caminhar.

Por isso, a irmã, todos os dias, carregava seu irmãozinho às costas.

O povo que os via passar ficava triste com a situação mas, pouco mais poderia fazer do que lhes dar umas esmolas e alimentos.

Certo dia, um homem que os viu passar perguntou à menina:

      –  “Minha jovem, todos os dias vejo você passando diante de minha casa com seu irmão às costas e meu coração se enche de dó de você. Mas, diga-me uma coisa: esse menino que já está tão grande, não lhe pesa muito às costas?

E a menina lhe respondeu:

–   “Não senhor, ele não me pesa porque É MEU IRMÃO!”

Confesso que quando me contaram pela primeira vez esta história eu me emocionei… a menina não lamentava o cansaço porque era o irmão que ela carregava.

Aqui estava a explicação para manter a alegria no sofrimento: o AMOR!

 

Quem ama carrega com alegria, quem ama sofre em comunhão, quem ama se diviniza, pois está imitando a Deus que é AMOR!

Por isso, quando me perguntam por que doar, por que fazer esse sacrifício de dar algo do que é meu aos outros, eu costumo responder o seguinte:

 

Quem doa ama algo! E a pessoa quer doar exatamente porque amou, se compadeceu de alguém ou de alguma causa e por isso, quer dar do que é seu para aliviar uma necessidade dos outros.

 

Nós já percorremos o Brasil de norte a sul e já vimos de perto como há muita gente neste país que sofre muito…!

As campanhas publicitárias passam, as promessas ficam por aí mesmo… e estes nossos irmãos continuam vivendo na sua difícil realidade.  

Agora, eu gostaria que você me respondesse o seguinte:

–   Dá para passar para o outro lado do caminho sem imitar o bom samaritano e ajudar a aliviar as dores de corpo e de espírito de quem tanto sofre?

Não dá!!! E por isso, nós da Associação Nossa Senhora de Fátima desenvolvemos e financiamos centenas de projetos de caridade em todo o país.

Mesmo que às vezes seja difícil para nós entrarmos em mais um projeto, nós fazemos de tudo para não passarmos indiferentes junto a estes “irmãos mais pequeninos”, pois é Cristo que sofre neles!

Pense nisto: E se fosse você que estivesse precisando de ajuda?

E eu garanto a você que a alegria de quem dá é maior do que a de quem recebe.

Lembro-me até hoje da alegria que tivemos ao ajudar a população de Barreirinha – AM, que sofria com terríveis inundações e à qual nós socorremos ajudando 300 famílias desabrigadas.

Noutra ocasião tivemos a honra de ajudar as corajosas irmãs franciscanas de Marechal Thaumaturgo, às quais oferecemos um barco missionário para que pudessem atender as mais de 60 comunidades ribeirinhas do rio Juruá.

A ação delas é tão ampla quanto as necessidades dessas comunidades: elas dão catequese, educam, fazem atendimento de saúde infantil, distribuem alimentos, etc. É uma profunda e completa ação de evangelização!

São centenas de projetos que nos fazem recordar que quem ama o próximo, sofre com as suas dores, carrega com ele a cruz, está disposto a lhe dar do que é seu, e ao final alegra-se com o seu sorriso!

 

AJUDE-NOS A CRIAR SORRISOS!

Seja um doador recorrente desta obra e saiba que a cada mês, o seu sacrifício fará de você um samaritano junto aos mais necessitados!

 

A pior pobreza do século!

O nosso século sofre de uma pobreza muito pior do que a falta de dinheiro, ou de alimento…

O nosso século sofre da falta de Deus! Sofre da falta de princípios morais e humanos!

Tantos de nós ficamos espantados com as notícias que vemos todos os dias: assaltos, assassinatos, corrupção, estupros, falta de respeito, etc, etc, etc.

Agora diga-me: será que nós podemos fazer alguma coisa para melhorar esta situação?

E eu afirmo com convicção que SIM, cada um de nós pode ajudar nesta mudança!

Todos estes problemas da sociedade que referimos são fruto da falta de Deus e do fechar os ouvidos aos ensinamentos de Jesus Cristo!

Você talvez se espante com aquilo que vou dizer, mas se essas pessoas que cometem esses crimes, se tivessem sentido o amor de Deus no fundo de suas almas, e tivessem vivido a alegria de uma vida virtuosa e compreendido como o crime ofende a Deus, à sociedade e à própria alma, tenho certeza moral que muitas dessas pessoas nunca teriam cometido os crimes que cometeram.

Daí a importância das dezenas de projetos de evangelização que nossa associação desenvolve anualmente.

Todos os anos nós distribuímos gratuitamente centenas de milhares de livros, opúsculos e materiais de piedade que têm sempre esta dupla intenção de evangelizar pela informação e pela espiritualidade.

Estes projetos têm um elevado custo e nós sozinhos jamais os conseguiríamos realizar, mas graças a Deus somos apoiados por muitas pessoas que se unem a nós nesta luta por um Brasil mais virtuoso!

Ajude-nos também nesta missão de evangelização, pois a nossa ação de hoje repercutirá no Brasil Católico de amanhã.

 

QUERO AJUDAR

 

 

Esta é uma boa pergunta que você faz…

Por que ei-de fazer o sacrifício de doar para ajudar alguém ou ajudar uma causa, se eu mesmo tenho tantas necessidades particulares?

E eu quero responder a você com uma história que me contaram e da qual eu tenho tirado muitas lições de vida.
                                              

Certa vez, numa cidade europeia, todo o povo se entristeceu com dois irmãos que ficaram órfãos muito cedo. A filha mais velha tinha 13 anos e o caçula tinha 8 anos.

QUERO AJUDAR

 

Com a morte dos pais e não havendo outros familiares que os ajudassem, o peso do sustento da casa ficou todo com a menina de 13 anos… Imaginem o drama que essa menina enfrentou…

Diariamente, os dois irmãos saiam de casa e caminhavam por alguns quilômetros até à cidade vizinha para conseguirem o sustento para o dia seguinte, por meio dos pequenos trabalhos que faziam…

No entanto, para tornar a vida destas crianças ainda mais sacrificada, o menino de 8 anos tinha nascido com uma grave deformação de crescimento que o impossibilitava caminhar.

Por isso, a irmã, todos os dias, carregava seu irmãozinho às costas.

O povo que os via passar ficava triste com a situação mas, pouco mais poderia fazer do que lhes dar umas esmolas e alimentos.

Certo dia, um homem que os viu passar perguntou à menina:

      –  “Minha jovem, todos os dias vejo você passando diante de minha casa com seu irmão às costas e meu coração se enche de dó de você. Mas, diga-me uma coisa: esse menino que já está tão grande, não lhe pesa muito às costas?

E a menina lhe respondeu:

–   “Não senhor, ele não me pesa porque É MEU IRMÃO!”

Confesso que quando me contaram pela primeira vez esta história eu me emocionei… a menina não lamentava o cansaço porque era o irmão que ela carregava.

Aqui estava a explicação para manter a alegria no sofrimento: o AMOR!

 

Quem ama carrega com alegria, quem ama sofre em comunhão, quem ama se diviniza, pois está imitando a Deus que é AMOR!

Por isso, quando me perguntam por que doar, por que fazer esse sacrifício de dar algo do que é meu aos outros, eu costumo responder o seguinte:

 

Quem doa ama algo! E a pessoa quer doar exatamente porque amou, se compadeceu de alguém ou de alguma causa e por isso, quer dar do que é seu para aliviar uma necessidade dos outros.

 

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Agora, eu gostaria que você me respondesse o seguinte:

–   Dá para passar para o outro lado do caminho sem imitar o bom samaritano e ajudar a aliviar as dores de corpo e de espírito de quem tanto sofre?

Não dá!!! E por isso, nós da Associação Nossa Senhora de Fátima desenvolvemos e financiamos centenas de projetos de caridade em todo o país.

Mesmo que às vezes seja difícil para nós entrarmos em mais um projeto, nós fazemos de tudo para não passarmos indiferentes junto a estes “irmãos mais pequeninos”, pois é Cristo que sofre neles!

Pense nisto: E se fosse você que estivesse precisando de ajuda?

E eu garanto a você que a alegria de quem dá é maior do que a de quem recebe.

Lembro-me até hoje da alegria que tivemos ao ajudar a população de Barreirinha – AM, que sofria com terríveis inundações e à qual nós socorremos ajudando 300 famílias desabrigadas.

Noutra ocasião tivemos a honra de ajudar as corajosas irmãs franciscanas de Marechal Thaumaturgo, às quais oferecemos um barco missionário para que pudessem atender as mais de 60 comunidades ribeirinhas do rio Juruá.

A ação delas é tão ampla quanto as necessidades dessas comunidades: elas dão catequese, educam, fazem atendimento de saúde infantil, distribuem alimentos, etc. É uma profunda e completa ação de evangelização!

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O nosso século sofre de uma pobreza muito pior do que a falta de dinheiro, ou de alimento…

O nosso século sofre da falta de Deus! Sofre da falta de princípios morais e humanos!

Tantos de nós ficamos espantados com as notícias que vemos todos os dias: assaltos, assassinatos, corrupção, estupros, falta de respeito, etc, etc, etc.

Agora diga-me: será que nós podemos fazer alguma coisa para melhorar esta situação?

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Diariamente, os dois irmãos saiam de casa e caminhavam por alguns quilômetros até à cidade vizinha para conseguirem o sustento para o dia seguinte, por meio dos pequenos trabalhos que faziam…

No entanto, para tornar a vida destas crianças ainda mais sacrificada, o menino de 8 anos tinha nascido com uma grave deformação de crescimento que o impossibilitava caminhar.

Por isso, a irmã, todos os dias, carregava seu irmãozinho às costas.

O povo que os via passar ficava triste com a situação mas, pouco mais poderia fazer do que lhes dar umas esmolas e alimentos.

Certo dia, um homem que os viu passar perguntou à menina:

      –  “Minha jovem, todos os dias vejo você passando diante de minha casa com seu irmão às costas e meu coração se enche de dó de você. Mas, diga-me uma coisa: esse menino que já está tão grande, não lhe pesa muito às costas?

E a menina lhe respondeu:

–   “Não senhor, ele não me pesa porque É MEU IRMÃO!”

Confesso que quando me contaram pela primeira vez esta história eu me emocionei… a menina não lamentava o cansaço porque era o irmão que ela carregava.

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A pior pobreza do século!

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Introdução

Acontece que, em 1917, a Virgem Maria profetizou aos três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, que, se a humanidade não desse ouvidos aos apelos que Ela vinha fazer, começaria uma segunda guerra mundial pior que a primeira e que a Rússia espalharia seus erros pelo mundo. O que de fato aconteceu: a segunda guerra ocorreu de 1939 a 1945 e a revolução comunista na Rússia eclodiu um mês depois da sexta aparição. Nossa Senhora vinha pedir a conversão pois, do contrário, duras perseguições se desencadeariam contra a Igreja e a mão de Deus puniria a terra por sua infidelidade.

Qual caminho a humanidade seguiu? Todos nós sabemos.

Entretanto, por cima destas previsões mais catastróficas, Nossa Senhora anunciou um sol de esperança: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará.”

Portanto, as profecias de Fátima são, antes de tudo, palavras de confiança e de certeza da vitória. Não é o anúncio do fim, mas a aurora de uma nova era histórica.

Esta era histórica virá como uma grande misericórdia. O triunfo d’Ela é o triunfo de Cristo. É o Reino de Maria no Reino de Cristo!

 

 

Primeira aparição da Santíssima Virgem: 13 de maio de 1917

Naquela manhã de domingo, 13 de maio, depois de assistirem à Missa na igreja de Aljustrel, onde moravam, saíram em direção à serra com seu pequeno rebanho de ovelhas. Lúcia disse em tom categórico:

— Vamos para as terras de meu pai, na Cova da Iria.

Obedecendo, os outros tocaram as ovelhas, e lá se foram pela Serra de Aire.

Por volta do meio-dia, após terem tomado seu lanche e rezado o Terço, conforme o pedido que o Anjo lhes havia feito, de súbito, as três crianças viram como que um clarão de relâmpago, que as surpreendeu. Olharam para o céu e, depois, umas para as outras: ficaram mudas e pasmas, pois o horizonte estava limpo e sereno. Que seria?

Diante da admiração respeitosa dos pastorinhos, a Santíssima Virgem lhes disse com suave bondade, segundo o relato da Ir. Lúcia:

A Celeste Mensageira havia produzido nas crianças uma deliciosa impressão de paz e de alegria radiante. De tempos em tempos, o silêncio em que tinham caído era cortado por esta jubilosa exclamação de Jacinta:

Nesta, como nas outras aparições, a Virgem Santíssima falou apenas com Lúcia, sendo que Jacinta só via e ouvia o que Ela dizia. Francisco, entretanto, não A ouvia, mas somente A via. Quando as duas meninas lhe relataram o que Nossa Senhora disse a respeito dele, ficou muito contente e, cruzando as mãos acima de sua cabeça, exclamou em alta voz:

Aquela Senhora tão bonita, como dizia Jacinta, não deu nenhuma ordem para as crianças manterem sigilo sobre a aparição. Mesmo assim, fizeram um “pacto infantil” de segredo, resolvendo não contar nada a ninguém, tal como haviam feito quando o Anjo lhes aparecera.

Como sabemos, crianças não são boas para guardar segredo… e Jacinta tão logo se encontrou com a mãe, correu para contar-lhe o que tinha ocorrido na Cova da Iria. Mas esta não lhe deu nenhum crédito e julgou tratar-se de imaginação infantil.

Mais tarde, durante o jantar com toda a família reunida, Jacinta tornou a contar sua história, deixando seu irmão Francisco numa situação bem difícil. Por um lado, não queria mentir e, por outro, não queria quebrar a promessa feita à prima Lúcia. Optou por ficar em silêncio.

Porém, ao ser interrogado pelo pai, o qual sabia ser o filho incapaz de mentir, não restou outra saída senão confirmar o que Jacinta acabava de contar.

Foi impossível evitar que a notícia corresse por toda a parte.

 

 

Segunda aparição: 13 de junho de 1917

No dia 13 de junho, muitos devotos e curiosos compareceram ao local da aparição. Era por volta de cinquenta o número de pessoas.

Depois de rezarem o Terço, uma moça pediu que se recitasse também a Ladainha da Santíssima Virgem. Lúcia, entretanto, disse que não daria mais tempo. A luz, que elas chamavam de relâmpago, começava a aparecer. As crianças se ajoelharam perto da azinheira e ali pousou Nossa Senhora, como no mês anterior.

A Senhora, então, começou a elevar-Se acima do arbusto, subindo suavemente pela luminosa estrada que seu incomparável brilho parecia abrir no firmamento, até desaparecer.

Lúcia gritou aos circunstantes:

O público ali presente, embora não tivesse visto Nossa Senhora, compreendeu que acabava de se passar algo de extraordinário e sobrenatural. Várias pessoas começaram a tirar raminhos e folhinhas da copa da azinheira, mas logo foram advertidos por Lúcia que colhessem apenas os de baixo.

No caminho de volta para casa, todos iam rezando o Terço em louvor à augusta Senhora que Se dignara descer do Céu até aquele perdido recanto de Portugal.

As aparições do Anjo de Portugal

A primeira das aparições deu-se numa colina próxima da Cova da Iria, denominada Cabeço.

No verão de 1916, quando os três pastorinhos brincavam no terreiro da casa dos pais de Lúcia, junto a um poço ali existente, aparece-lhes novamente o Anjo, como o narra a Ir. Lúcia.

As crianças passam a ter presente em sua alma a necessidade de reparar os pecados dos homens, como conta Walsh a respeito de Francisco.

No fim do verão ou princípio do outono de 1916, mais uma vez na Loca do Cabeço, deu-se a última aparição do celeste mensageiro. Havendo as crianças terminado de merendar, em vez de começarem a brincar, foram rezar numa gruta próxima. Estavam eles de joelhos e inclinados, rezando a oração ensinada pelo Anjo, quando ele tornou a se fazer ver, como nos conta a Ir. Lúcia.

As palavras do Anjo produziram profunda impressão nas três crianças, as quais, a partir de então, começaram a sofrer e rezar fervorosamente pelos pecadores.

Estavam assim já preparados para o encontro com a Rainha dos Anjos!

 

Terceira aparição: “Isto não o digais a ninguém!”

No dia anterior em que se daria a terceira aparição de Nossa Senhora, Lúcia estava resolvida a não comparecer à Cova da Iria, por estar passando por uma dura prova. A mãe não lhe dava crédito e a acusava de mentirosa. Ademais, o pároco do local, depois de a ter interrogado meticulosamente, pronunciou-se da seguinte forma: “Não me parece uma revelação do Céu. Quando se dão estas coisas, por ordinário, Nosso Senhor manda essas almas a quem Se comunica, dar conta do que se passa a seus confessores ou párocos e esta, ao contrário, retrai-se quanto pode. Isto também pode ser um engano do demônio. Vamos ver. O futuro nos dirá o que havemos de pensar.”

A tal ponto esta dúvida foi tomando o seu subconsciente que, certa noite, acordou gritando. Depois, contou o que havia sonhado:

No dia 12 pela tarde, Jacinta e Francisco tentaram convencer Lúcia de todos os modos, mostrando-lhe ser impossível que a Senhora tivesse qualquer relação com o inferno, muito pelo contrário! Lúcia, todavia, permanecia firme em sua resolução. A Jacinta, que lhe insistia com lágrimas nos olhos para acompanhá-los até a Cova da Iria, Lúcia disse: “Olha: se a Senhora te perguntar por mim, diz-Lhe que não vou, porque tenho medo que seja o demônio.”12

No dia seguinte, ao aproximar-se a hora em que deviam partir, Lúcia sentiu-se impulsionada por uma estranha força, que não era fácil resistir. Foi se encontrar com os primos e os encontrou no quarto, de joelhos, chorando e rezando, como ela mesma conta:

E as três crianças se puseram a caminho. Ao chegarem no local das aparições, surpreenderam-se com a multidão que ali se encontrava: eram entre duas ou três mil pessoas.

Quarta aparição: A provação dos pastorinhos

Aproximava-se o dia 13 de agosto, data prevista para a quarta aparição da Mensageira Celestial. A situação das crianças, porém, não era nada fácil. Elas estavam no meio de um fogo cruzado, pois, de um lado, havia autoridades civis e políticas abertamente contrárias à Religião e, de outro, a prudência da Igreja que não se pronunciava favoravelmente com relação às aparições.

Eram os anos posteriores à queda do regime monárquico em Portugal, fato ocorrido em 1910, e a Igreja Católica vivia dias difíceis. O administrador do concelho de Vila Nova de Ourém, Artur de Oliveira Santos, era anticatólico. Como Fátima pertencia justo a este concelho, o administrador mandou intimar os pais dos pastorinhos, com seus filhos, para o sábado, dia 11 de agosto, ao meio-dia.

Na realidade, os pais de Lúcia não acreditavam nas aparições e esperavam que o medo vencesse a filha, para que pudessem voltar à tranquilidade de seus afazeres. Lúcia e o pai foram inquiridos a respeito do Segredo e ela resistiu, mesmo tendo sido ameaçada de morte. O Sr. Marto, pai de Jacinta e Francisco, foi sozinho e não levou Jacinta nem Francisco, pois ele e Da. Olímpia, sua esposa, pensavam diferente dos pais de Lúcia. O administrador foi duro com o Sr. Marto, porque ele não levou os filhos, e resolveu ir até sua casa, desta vez acompanhado de um sacerdote.

Estando o administrador em casa dos pastorinhos, acompanhado do pároco local, quis interrogar Francisco e Jacinta. Como não conseguiu nenhum resultado, resolveu se utilizar de uma artimanha, levando os videntes até a casa do pároco, para serem novamente examinados por ele e pelo próprio sacerdote.

O pároco, querendo “lavar as mãos” e ficar bem com a autoridade civil, interrogou Lúcia primeiro, dizendo-lhe que estavam mentindo, enganando muita gente com a história das aparições, concluindo que todo aquele que diz mentiras vai para o inferno… A menina, inspirada pelo Espírito Santo, respondeu com firmeza: “Se quem mente vai para o inferno, eu não vou para o inferno, porque eu não minto e digo somente o que vi e o que a Senhora me disse. Quanto ao povo que vai lá, vai porque quer. Nós não chamamos ninguém.”17

Tendo sido frustrada a tentativa, o administrador resolveu usar de outra tática. Enganou os pastorinhos, os convidando a irem em seu carro até o local das aparições, mas na verdade os sequestrou, indo para Ourém a toda a velocidade. Lá, os deixou em casa com sua esposa. Cumulou os pequenos de saborosas comidas, fazendo-os brincar com os próprios filhos. Esperava, com isso, amolecer as crianças com todas aquelas manifestações de falsa amabilidade.

Deste modo, passaram o dia da aparição distantes da Cova da Iria. Na ocasião, Francisco soube exprimir bem a dúvida que brotava no coração dos três pastorinhos:

Já na Cova da Iria, uma multidão calculada entre cinco e seis mil pessoas, esperava os pequenos videntes na hora em que Nossa Senhora costumava aparecer.

Desde as onze horas o povo rezava e cantava. No entanto, onde estavam as crianças? Por volta do meio-dia, enquanto rezavam o Terço, chegou alguém de Fátima com a notícia do rapto dos pastorinhos, despertando forte indignação entre todos.

Neste momento, repentinamente ouviu-se um leve murmúrio, seguido de um estrondo de trovão e um relâmpago, como das outras vezes. Viram, então, uma nuvenzinha branca, transparente e leve, pousar suavemente sobre a carrasqueira por uns instantes. Pouco depois, elevou-se e se dissipou no azul do céu. Tudo indica que Nossa Senhora veio e, não encontrando os pequenos, Se retirou, manifestando-Se por meio destes sinais para que a multidão se desse conta de sua presença.

Havendo passado a noite na casa do administrador, na manhã seguinte os guardas levaram os pequenos para exaustivos interrogatórios na sede da administração. Queriam a todo custo descobrir o Segredo, mas as crianças ficaram firmes e tudo foi em vão. Até mesmo ouro lhes ofereceram; todavia eles resistiram e não contaram nada.

Depois, partiram para as ameaças, e ameaças terríveis para pequenas crianças, como a de jogá-las num caldeirão de azeite onde morreriam fritas. Por fim, o administrador terminou por prender os pastorinhos numa cela da cadeia pública, junto com criminosos.

Jacinta chorava com saudade dos pais, que temia nunca mais voltar a ver. Francisco, para encorajar a irmãzinha e a prima a oferecerem tais tormentos como sacrifício pela conversão dos pecadores, conforme o Anjo e a própria Virgem os havia ensinado, disse: “A mãe, se não a tornarmos a ver, paciência! Oferecemos pela conversão dos pecadores. O pior é se Nossa Senhora não volta mais! Isso é que mais me custa! Mas também o ofereço pelos pecadores.”20 A isto, Jacinta acrescentou que deviam oferecer também pelo Santo Padre e em reparação às ofensas cometidas contra o Imaculado Coração de Maria.

No convívio com os criminosos, na prisão, resolveram rezar o Terço. Cena inaudita: os detentos que ali se encontravam se ajoelharam também, movidos pelo exemplo irresistível daqueles três confessores da Fé.

Apesar do alívio que sentiram na recitação do Terço, terminada a oração Jacinta voltou-se para a janela e tornou a chorar. Os presos que ali se encontravam queriam consolar aquela heroína de apenas sete anos, tentando convencê-la a revelar o Segredo:

Chegou a hora mais crucial da prova: chamaram os pastorinhos para o gabinete do administrador. Em tom intimidativo, este mandou levar Jacinta para, segundo sua ameaça, o caldeirão de azeite fervendo, já que ela não revelava o Segredo. Pensavam que, sendo a mais nova, não resistiria ao medo e o contaria. No entanto, a menina acompanhou aquele que a chamava sem dizer uma palavra.

Em seguida pegaram Francisco pelo braço. Ele, em lágrimas, mas resoluto e firme, tampouco contou o Segredo. Por fim, foi a vez de Lúcia… Ainda que tivesse a ideia de que seus primos estivessem mortos e de que ela seria a próxima, não revelou o Segredo e resistiu àquela cruel pressão, também com heroísmo notável.

Pouco tempo depois, estavam ela e os dois primos num quarto, abraçando-se com alegria! Sem embargo, o tormento ainda não havia passado. Recordemos que a todo este sofrimento se deve acrescentar o aparente abandono da família e as dúvidas que o pároco levantou…

No dia seguinte, 15 de agosto, festa da Assunção de Maria, o administrador os submeteu a novos inquéritos. Vendo perdido seu intento, temendo o pior, devido a um verdadeiro levante popular em defesa das crianças, e querendo salvar a própria pele, resolveu devolvê-las na residência do pároco de Fátima.

Tendo em vista que não se encontraram com Nossa Senhora no dia 13 de agosto, os pastorinhos ficaram com um misto de esperança e desânimo…

Quatro dias depois do sequestro, em 19 de agosto, Jacinta não foi ao campo, e seu irmão João, de onze anos, a substituiu na guarda do rebanho. Estando próximos de Aljustrel, num local chamado Valinhos, Francisco e Lúcia, por volta das quatro horas da tarde, perceberam algo de sobrenatural prenunciando a chegada da Celeste Mensageira.

Lembraram-se imediatamente de Jacinta e pediram que João fosse chamar sua irmã às pressas, chegando esta justo a tempo da aparição.

Assim narra Lúcia o que aconteceu:

Como se pode facilmente concluir, a Virgem Maria, em sua indizível bondade materna, quis vir em socorro daqueles filhos prediletos para os confortar depois do terrível sofrimento pelo qual haviam passado.

“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” (Mt 5,4).

 

 

Quinta aparição: 13 de setembro de 1917

 

Ao longo das sucessivas aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, aumentava o número dos que nelas acreditavam. No dia 13 de setembro verificou-se um extraordinário número de peregrinos presentes no local. Muitos já se haviam posto a caminho desde o dia anterior e formavam uma multidão cheia de respeito, calculada entre quinze e vinte mil pessoas, ou talvez mais.

Ainda que breve, a aparição de Nossa Senhora deixou os pequenos videntes felicíssimos, consolados e fortalecidos em sua fé. Francisco, de modo especial, sentia-se transportado de alegria com a perspectiva “de que, no próximo mês, veriam Nosso Senhor”,29 como lhes prometera a Rainha do Céu e da terra.

 

 

 

Última Aparição: “Eu sou a Senhora do Rosário”

 

Naquela manhã fria de outono, uma chuva persistente e abundante tinha transformado a Cova da Iria num imenso lamaçal, e parecia ensopar até os ossos da multidão de cinquenta a setenta mil peregrinos que ali se apinhava, vinda de todos os cantos de Portugal.30

Por volta das onze e meia da manhã, aquele mar de gente abriu passagem aos três videntes que se aproximavam.